Um recente levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, publicado na última quinta-feira, 12, revela um forte anseio dos brasileiros por mais tempo de descanso. A pesquisa indica que 84% da população defende que os trabalhadores deveriam ter pelo menos duas folgas por semana, ressaltando a crescente demanda por um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Apoio Condicional à Extinção da Escala 6×1
O estudo também revela que 73% dos entrevistados são favoráveis ao fim da jornada de trabalho 6×1, contanto que essa mudança não implique em diminuição salarial. No entanto, quando a possibilidade de redução de renda é considerada, o apoio a essa proposta cai drasticamente, chegando a apenas 28%. Esse contraste evidencia a preocupação dos trabalhadores com suas finanças e subsistência.
Consciência e Percepção da População
A pesquisa aponta que 62% dos brasileiros estão cientes de que o governo federal e o Congresso Nacional estão debatendo essa temática. Entre aqueles que conhecem a proposta, há uma percepção geral de que a carga horária atual é desgastante. Entretanto, as dificuldades financeiras enfrentadas pela população, com rendas médias relativamente baixas, geram resistência em aceitar uma troca de tempo livre por uma redução nos salários.
Análise do Especialista
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca que os dados refletem um “viés de desejo” que se choca com as necessidades financeiras básicas. Segundo ele, embora a maioria dos trabalhadores deseje ter folgas adicionais, a perspectiva de uma redução salarial é um fator decisivo que impede a aceitação dessa proposta. “Quando se coloca que você vai trabalhar menos, mas ganhar menos, o cidadão não aceita porque tem contas a pagar”, explica.
O Impasse no Congresso
Os resultados da pesquisa revelam um conflito central que deve dominar as discussões legislativas em Brasília. De um lado, as empresas argumentam que qualquer redução da jornada de trabalho deve ser acompanhada por uma proporcional redução dos salários, visando à manutenção da viabilidade econômica. Por outro lado, os trabalhadores se opõem a essa precarização da renda em troca de um tempo de descanso adicional.
Próximos Passos e Audiências Públicas
Esses dados serão fundamentais para orientar as próximas audiências públicas promovidas pelo Ministério da Educação e do Trabalho, que buscarão discutir e analisar a viabilidade da proposta de mudança na jornada de trabalho. O desafio reside em encontrar um equilíbrio que atenda tanto às necessidades dos trabalhadores quanto às exigências econômicas das empresas.
Fonte: https://www.folhadevalinhos.com.br