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Governo Suspende Dragagem do Rio Tapajós Após Mobilização Indígena

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Na última sexta-feira (6), o governo federal decidiu interromper o processo de dragagem do rio Tapajós, localizado no Pará, como resposta a intensos protestos por parte de comunidades indígenas que se opõem à exploração fluvial com foco na exportação de grãos. A medida surge após duas semanas de mobilizações que atraíram a atenção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Protestos em Santarém

Centenas de indígenas se acamparam nas proximidades do terminal portuário da Cargill em Santarém, uma das maiores empresas agroindustriais dos Estados Unidos, para expressar suas preocupações sobre os impactos da dragagem no rio. Os manifestantes destacaram a importância do Tapajós para seu modo de vida e a necessidade de um diálogo mais aberto com o governo.

Decisão do Governo

Em uma nota oficial, o governo afirmou que a suspensão do processo de contratação de uma empresa para a dragagem anual foi um gesto de boa vontade em resposta às mobilizações indígenas. A administração também se comprometeu a realizar uma 'consulta livre, prévia e informada' com as comunidades locais antes de prosseguir com quaisquer projetos que possam afetar seus territórios.

Reivindicações Indígenas

Os líderes indígenas exigem a revogação de um decreto assinado por Lula em agosto, que prioriza os principais rios da Amazônia para o transporte de cargas e a expansão de portos privados. Além disso, eles pedem o cancelamento da licitação para a dragagem do Tapajós, um dos afluentes mais significativos do Amazonas, enfatizando a necessidade de preservar esses recursos hídricos.

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Impactos Ambientais e Críticas

A preocupação com os impactos ambientais da dragagem foi reforçada por um comunicado do Ministério Público Federal, que apontou riscos significativos segundo documentos técnicos do ICMBio e do Ibama. As lideranças indígenas, como Alessandra Korap, do povo Munduruku, enfatizam que projetos desse tipo ameaçam não apenas a biodiversidade local, mas também seus locais sagrados.

O Papel da Cargill e do Agronegócio

A Cargill, com sede em Minnesota, possui operações logísticas em todo o Brasil e emprega cerca de 11 mil pessoas. No entanto, a empresa se viu no centro da controvérsia, com os manifestantes bloqueando acessos ao terminal e à rodovia Fernando Guilhon, a principal via para o aeroporto internacional de Santarém. Os indígenas criticam a expansão da infraestrutura agrária, descrevendo-a como um 'projeto de morte' que compromete o futuro de seus rios e comunidades.

Conclusão

A suspensão da dragagem do rio Tapajós representa um momento crucial na luta das comunidades indígenas pela preservação de seus territórios e modos de vida. O compromisso do governo em ouvir essas vozes e considerar as implicações ambientais das obras pode ser um passo importante em direção a um diálogo mais respeitoso e inclusivo, essencial para a proteção da Amazônia e de seus povos.

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