Com 41% dos usuários sacrificando itens essenciais para jogar, Ministério da Saúde lança teleatendimento via SUS; novas regras em 2026 buscam frear publicidade agressiva
apostas: cenário e impactos
O avanço das casas de apostas digitais, as populares “bets”, transformou o cenário econômico e psicológico do Brasil. Em março de 2026, dados da pesquisa TIC Domicílios revelam que 19% da população conectada admite apostar. O impacto, porém, vai além do clique: um levantamento da CNDL e do SPC Brasil aponta que 7,5 milhões de brasileiros já comprometeram sua renda com os jogos, e 29% dos apostadores estão com o nome negativado.
Mais alarmante é o dado de que 41% dos usuários renunciaram ao consumo de itens essenciais para continuar jogando, desenhando um quadro de superendividamento que afeta diretamente a qualidade de vida das famílias.
Quando o jogo vira doença?
O Dr. Cláudio Costa, psiquiatra e professor da Afya Educação Médica, explica que o diagnóstico de “transtorno do jogo” exige atenção a sinais específicos por um período de 12 meses. “O distúrbio é marcado pela perda de controle e pela necessidade de apostar quantias cada vez maiores para sentir excitação”, pontua.
De acordo com o especialista, o vício pode desencadear:
- Ansiedade: Ligada ao acúmulo de dívidas e ao medo de ser descoberto.
- Depressão: Marcada pela culpa, autorrecriminação e perda de esperança.
- Impulsividade: Que torna o controle cada vez mais difícil, levando a riscos financeiros elevados.
Suporte via SUS: Teleatendimento 24h
Para enfrentar essa crise, o Ministério da Saúde lançou este mês um serviço de teleatendimento especializado via Meu SUS Digital. Com investimento de R$ 2,5 milhões, a iniciativa foca em brasileiros acima de 18 anos e suas redes de apoio. O serviço funciona 24 horas e visa acolher os pacientes que, muitas vezes, demoram a buscar ajuda por vergonha.
Regulamentação
O cenário jurídico também mudou. O advogado Henrique Lanza Neto, professor de Direito da Afya, destaca que 2026 marca a consolidação da “Lei das Bets” (14.790/2023). Agora, as casas autorizadas (atualmente 185 no país) devem ter sede no Brasil, pagar 12% de taxa sobre o faturamento (GGR) e seguir regras rígidas contra a publicidade agressiva.
“A regulamentação traz transparência e exige a exclusão compulsória de jogadores patológicos, alinhando o país a padrões internacionais de jogo responsável”, conclui Lanza Neto.
Sobre a Afya: Maior ecossistema de educação médica do Brasil, a Afya integra 38 instituições de ensino superior e é pioneira em soluções digitais para a prática médica, sendo reconhecida como uma das empresas mais inovadoras do país.
Fonte: folhadevalinhos.com.br