A ONG Mediterranea Saving Humans divulgou, em 2 de fevereiro, uma estimativa alarmante de que pelo menos mil migrantes podem ter desaparecido no Mar Mediterrâneo em decorrência do ciclone Harry. Essa informação foi obtida através de relatos de refugiados que conseguiram escapar da Liberdade e da Tunísia.
Silêncio das Autoridades
A organização critica a falta de resposta das autoridades italianas e maltesas diante da tragédia que se desenrola. Laura Marmorale, presidente da Mediterranea Saving Humans, expressou sua indignação: "Os contornos da maior tragédia dos últimos anos nas rotas do Mediterrâneo Central estão se delineando, e os governos da Itália e de Malta permanecem em silêncio, sem fazer nada".
Dados sobre Desaparecimentos
Embora a Guarda Costeira europeia tenha reportado que cerca de 380 indivíduos estão oficialmente desaparecidos, os depoimentos de refugiados sugerem que o número real pode ser consideravelmente maior. Muitas embarcações teriam partido da cidade tunisiana de Sfax durante o ciclone, aumentando as preocupações sobre a segurança dos migrantes.
Resgate e Críticas às Políticas Migratórias
Na última sexta-feira, o navio de resgate Ocean Viking recuperou os restos mortais de uma migrante na zona de busca e salvamento de Malta, que foram desembarcados em Siracusa, na Itália, no dia seguinte. Marmorale criticou a inação dos governos, afirmando que o silêncio sobre essas mortes reflete o fracasso das políticas migratórias e a colaboração com países como a Líbia e a Tunísia.
Reação do Governo Italiano
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também se manifestou sobre a situação, chamando os traficantes de seres humanos de "criminosos assassinos". Segundo ele, essas pessoas estão enviando barcos superlotados em condições perigosas, cientes dos riscos, o que resulta em mortes trágicas no mar.
Conclusão
A crise dos migrantes no Mediterrâneo continua a ser uma questão crítica e complexa. As estimativas da Mediterranea Saving Humans ressaltam a necessidade de uma resposta mais efetiva e humana por parte das autoridades, bem como a urgência de repensar as políticas migratórias que, segundo Marmorale, parecem preparar novas medidas brutais contra aqueles em busca de uma vida melhor.