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Morar em áreas arborizadas reduz risco cardiovascular, revela estudo

saúde – Estudo revela que morar em áreas arborizadas reduz risco cardiovascular em 4%.

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Pesquisa analisou 350 milhões de imagens e constatou que outras coberturas vegetais, como gramados, não mostram o mesmo efeito protetor

saúde: cenário e impactos

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

A presença de árvores em áreas urbanas está associada a uma redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares. Em contraste, residir em locais com vegetação como grama, arbustos e moitas está ligado a um aumento na probabilidade de problemas cardíacos. Essa conclusão é parte de um estudo publicado em janeiro na revista Environmental Epidemiology.

Pesquisadores de instituições dos Estados Unidos e da Europa analisaram 350 milhões de imagens de ruas nos EUA, em torno das residências de aproximadamente 89 mil mulheres, acompanhadas por quase duas décadas. Ao contrário de muitos estudos anteriores que usaram índices gerais de vegetação, esta pesquisa conseguiu identificar tipos específicos de cobertura vegetal, como copas de árvores, gramados e outros elementos verdes.

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Apesar da associação benéfica entre árvores e saúde cardiovascular, isso não implica uma relação direta de causa e efeito. “Não conhecemos todas as características associadas às imagens de street view analisadas. Pode não ser apenas ‘qual verde’, mas onde e como esse verde está inserido”, observa Lis Leão, líder do grupo de pesquisa e-Natureza, do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Fatores adicionais podem influenciar essa relação, como a dependência de automóveis em bairros com predominância de gramados, que pode levar a hábitos mais sedentários. Também foram levantadas hipóteses sobre o uso de pesticidas e características do desenho urbano, embora essas variáveis não tenham sido medidas diretamente.

Por outro lado, as árvores estão associadas a benefícios indiretos para a saúde cardiovascular, como a redução da poluição do ar, alívio das ilhas de calor, diminuição do ruído e incentivo à prática de atividades físicas e interação social. “Ambientes naturais modulam o sistema nervoso autônomo e reduzem a ativação simpática crônica, que está ligada ao risco cardiovascular”, detalha Leão.

A relação entre natureza e saúde é estudada há pelo menos quatro décadas. “Nos anos 1980, a Teoria da Recuperação do Estresse, proposta por Roger Ulrich, mostrava que observar uma paisagem natural pela janela podia acelerar a recuperação após cirurgias”, relata a pesquisadora.

Entretanto, a paisagem sozinha não é suficiente para garantir uma boa saúde. É essencial manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, dormir bem, realizar acompanhamento médico regular e gerenciar o estresse. Nesse contexto, a natureza se revela uma importante aliada.

“Há base suficiente para pensar em cidades mais arborizadas como estratégia de promoção da saúde. No futuro, usufruir da natureza poderá ser visto como parte das recomendações de saúde, assim como hoje incentivamos a prática regular de atividade física”, especula Lis Leão.

Fonte: folhadevalinhos.com.br

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