Na última quarta-feira (11), a Câmara Municipal de Bauru sediou uma reunião pública que buscava discutir a regulamentação do funcionamento de adegas, disk-cervejas e estabelecimentos semelhantes. O encontro, convocado pela Comissão de Indústria, Comércio, Agricultura e Abastecimento, reuniu vereadores, secretários municipais, representantes da Polícia Militar, moradores e proprietários do setor. Apesar da diversidade de opiniões, a reunião não resultou em decisões concretas sobre questões centrais do projeto de lei.
Divergências em Torno do CNAE
Um dos principais pontos de discórdia gira em torno da classificação das atividades no CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação propôs que as adegas fossem enquadradas no CNAE 5611-2/04, que abrange bares e restaurantes. Essa mudança permitiria o consumo no local, desde que os estabelecimentos se adequassem a exigências estruturais, como a instalação de banheiros.
Em contrapartida, o texto original do projeto sugere o uso do CNAE G-4723-7/00, que se destina ao comércio varejista de bebidas, limitando as atividades apenas à venda para consumo fora do estabelecimento. O secretário de Desenvolvimento, Jurandir Posca, argumentou que essa classificação ajudaria na fiscalização, mas poderia restringir a operação de muitas adegas que já estão em funcionamento na cidade.
Desafios na Fiscalização
O coordenador de Fiscalização da Prefeitura, Mário Lobo, destacou que aproximadamente 90% das denúncias recebidas são relacionadas a adegas. A ausência de regulamentação específica, segundo ele, tem dificultado a atuação do poder público, especialmente em relação a estabelecimentos que se aproveitam de brechas na legislação para obter vantagens. Lobo ressaltou que, atualmente, o alvará de funcionamento é emitido automaticamente, sem uma checagem detalhada das informações prestadas pelos comerciantes.
A Vigilância Sanitária também enfatizou a necessidade de avançar na definição de regras que regulem a comercialização de alimentos e o fracionamento de bebidas. O tenente-coronel Juliano Prado Loureiro, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior, comentou que as leis em vigor são insuficientes para inibir comportamentos problemáticos associados a algumas adegas, como mudanças frequentes de endereço que dificultam a fiscalização.
Responsabilidade dos Proprietários
O projeto de lei em discussão propõe que os proprietários de adegas implementem medidas que promovam o consumo responsável de bebidas alcoólicas, além de orientar os clientes sobre a proibição de consumo no local, caso essa diretriz seja mantida. Contudo, tanto parlamentares quanto proprietários levantaram preocupações sobre a viabilidade de cumprimento dessas exigências.
Mário Lobo afirmou que a responsabilidade principal dos comerciantes seria a orientação, enquanto a nova legislação proporcionaria um respaldo mais robusto para ações de fiscalização. O vereador Cabo Helinho (PL), autor da proposta, reiterou que o intuito é tornar a aplicação de sanções mais eficiente e oferecer um arcabouço legal mais claro ao município.
Próximos Passos e Expectativas
Diante da falta de consenso sobre os principais pontos da proposta, Cabo Helinho solicitou à Secretaria de Desenvolvimento Econômico que organize uma nova reunião multissetorial ainda nesta semana. O objetivo é discutir os ajustes necessários no texto, especialmente em relação ao CNAE. O secretário Jurandir Posca comprometeu-se a reunir representantes da Vigilância Sanitária e das secretarias envolvidas.
O projeto, que conta com a assinatura de 12 vereadores, deve ser retomado para discussão na sessão ordinária marcada para o dia 19 de fevereiro. Até lá, há a expectativa de que Executivo e Legislativo avancem na construção de um texto que resolva os impasses identificados, o que não foi alcançado na reunião anterior.
Fonte: https://96fmbauru.com.br