As ações da Fictor Alimentos (FICT3) sofreram uma drástica queda de quase 40% na B3 nesta segunda-feira, refletindo a inquietude do mercado após a holding controladora, Fictor Holding, protocolar um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Este movimento levou os papéis da subsidiária a serem negociados por menos de R$ 1, um marco preocupante para os investidores.
Contexto da Recuperação Judicial
A recuperação judicial é um recurso legal utilizado por empresas para reestruturar suas dívidas e evitar a falência. No caso da Fictor, a holding alega que a Fictor Alimentos não deve ser incluída nesse processo, argumentando que a subsidiária apresenta uma geração de receitas robusta, uma estrutura financeira sólida após um recente aumento de capital e não possui dívidas bancárias significativas.
Argumentos da Fictor Holding
No pedido apresentado à Justiça, a Fictor Holding enfatiza que a Fictor Alimentos é essencial para o grupo, servindo como sua principal fonte de receitas. A holding ressalta que incluir a subsidiária no processo poderia prejudicar a empresa que, segundo afirmam, é a mais capaz de ajudar na recuperação financeira do conglomerado. Além disso, a holding menciona o recente aumento de capital de R$ 70 milhões como um indicativo da saúde financeira da Fictor Alimentos.
Cautela dos Investidores
Apesar das garantias da holding, muitos investidores permanecem céticos. O entendimento predominante é que a separação operacional entre a Fictor Alimentos e a Fictor Holding pode não ser tão clara na prática. Especialistas citam a possibilidade de que o Judiciário avalie a situação financeira do grupo como um todo, o que poderia resultar na inclusão da subsidiária no processo de recuperação judicial.
Riscos de Dependência Financeira
Outro aspecto que gera preocupação entre os analistas é a crescente dependência financeira da Fictor Alimentos em relação à sua controladora. Em um aumento de capital realizado em agosto do ano anterior, cerca de 85% do montante foi subscrito pela própria holding, o que levanta dúvidas sobre a autonomia financeira da subsidiária. Essa interdependência pode ser vista como um fator que inviabiliza sua exclusão do processo de recuperação judicial.
Governança e Estrutura de Controle
A estrutura de governança da Fictor Alimentos também suscita questionamentos. O atual presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente interino é Rafael Ribeiro Leite de Góis, que exerce funções similares na holding. Essa sobreposição de papéis pode criar uma percepção de que as decisões tomadas pela subsidiária estão intimamente ligadas às diretrizes da holding, complicando ainda mais a análise da autonomia entre as duas entidades.
Conclusão
A queda abrupta das ações da Fictor Alimentos ilustra a fragilidade da confiança do mercado em relação à separação entre a subsidiária e sua holding controladora. Enquanto a Fictor Holding tenta tranquilizar os investidores com argumentos de solidez financeira, a realidade da dependência e a incerteza sobre a recuperação judicial geram um ambiente de cautela que poderá influenciar as decisões futuras sobre o futuro da empresa.
Fonte: https://www.moneytimes.com.br