Um recente estudo do Barômetro da Lusofonia revelou que Portugal e Brasil estão na liderança do ranking de desinformação entre os países que falam português. A pesquisa, divulgada na última sexta-feira, 30, destaca que a propagação de notícias falsas é um fenômeno alarmante que afeta significativamente a população lusófona.
A Prevalência de Fake News
De acordo com os dados coletados, 64% dos entrevistados relataram ter recebido notícias falsas, com porcentagens alarmantes em Portugal (83%) e no Brasil (80%). Outros países, como Angola e Moçambique, também enfrentam desafios significativos, com 71% de relatos de desinformação em ambos. Já em Guiné-Bissau, a taxa é de 67%.
Percepção da Gravidade do Problema
A percepção da gravidade das fake news varia entre os países. No Brasil, 77% dos cidadãos acreditam que a desinformação gera "muitos problemas", enquanto em Portugal, 46% concordam que causa "alguns problemas" e 42% veem uma gravidade maior. A situação é similar em Angola, onde 61% e em Moçambique, onde 67% dos entrevistados consideram a questão preocupante.
Desafios na Identificação de Fake News
Embora Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste apresentem percentuais mais baixos de relatos sobre fake news, a pesquisa sugere que isso pode indicar uma dificuldade maior em reconhecer a desinformação, em vez de uma menor incidência do problema. O estudo ressalta que a capacidade de identificar notícias falsas depende das habilidades coletivas e individuais, bem como do nível de regulamentação da internet.
Maturidade Digital e Desinformação
A pesquisa também considera o Índice de Desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (IDI), que avalia o acesso e a utilização das tecnologias. Portugal lidera com uma pontuação de 90,1, seguido pelo Brasil com 84,5. Enquanto isso, Cabo Verde se destaca com 69,1, enquanto Guiné-Bissau e Moçambique enfrentam desafios significativos, com pontuações de 36,9 e 32,0, respectivamente.
A Importância do Voto e a Satisfação Democrática
O levantamento também explorou a percepção da democracia entre os cidadãos lusófonos. Embora 91% considerem o voto fundamental, 57% expressam insatisfação com o funcionamento da democracia em seus países. Timor-Leste, Portugal e Cabo Verde se destacam pela valorização do voto, com percentuais de 99%, 96% e 93% respectivamente.
Expectativas e Realidade Democrática
Apesar da alta valorização do voto, a pesquisa aponta que muitos cidadãos sentem que a democracia não atende às suas expectativas. Em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Moçambique, a insatisfação é superior a 70%, refletindo preocupações sobre a eficácia das instituições democráticas e a resposta do Estado às necessidades da população.
Em suma, o estudo do Barômetro da Lusofonia sublinha a necessidade urgente de abordar a desinformação e as fragilidades democráticas que permeiam os países lusófonos, ressaltando a importância da educação digital e do fortalecimento das instituições para garantir uma informação mais precisa e confiável.
Fonte: https://istoe.com.br