A Câmara Municipal do Recife se reúne nesta terça-feira, 3, para deliberar sobre a admissibilidade de um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos, filiado ao PSB. A proposta, apresentada pelo vereador Eduardo Moura, do partido Novo, baseia-se em alegações de irregularidades relacionadas à nomeação de um procurador municipal.
Motivos do Pedido de Impeachment
O cerne da denúncia está na nomeação de Lucas Vieira da Silva para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). Lucas, que obteve a 63ª colocação em um concurso realizado em 2022 e homologado em 2023, solicitou reclassificação para a lista de PCD após apresentar um laudo médico diagnosticando Transtorno do Espectro Autista (TEA). A sua nomeação foi oficializada no Diário Oficial do Município em 23 de dezembro de 2025.
Irregularidades na Reclassificação
De acordo com Eduardo Moura, a reclassificação do candidato ocorreu de forma irregular, uma vez que três procuradoras do município haviam previamente negado seu pedido. A mudança de decisão, que permitiu a nomeação de Lucas, só aconteceu após o caso chegar ao procurador-geral, Pedro Pontes, que ocupa um cargo comissionado e foi indicado pelo prefeito. A nomeação foi assinada por João Campos apenas três dias após a nova avaliação.
Reação da Prefeitura e Críticas
O descontentamento gerado pela situação levou a administração municipal a anular a nomeação em 31 de dezembro de 2025, restabelecendo o resultado original do concurso. Essa decisão foi tomada em resposta à pressão de entidades jurídicas e da sociedade civil, que criticaram a ação por violar princípios de segurança jurídica e isonomia entre os candidatos.
Implicações Políticas e Jurídicas
A situação é ainda mais complicada pelo fato de que Lucas é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, e do juiz Rildo Vieira da Silva, que atua em casos de crimes contra a administração pública. Este contexto levanta suspeitas de favorecimento e acirra a necessidade de uma investigação mais profunda por parte do Legislativo.
Próximos Passos na Câmara Municipal
Para que o pedido de impeachment seja aceito, é necessária a assinatura de dois terços dos vereadores. Caso a proposta avance, João Campos poderá ser processado por crimes comuns e de responsabilidade no Tribunal de Justiça de Pernambuco, o que poderia ter sérias consequências para sua administração.
Conclusão
A votação sobre a admissibilidade do impeachment de João Campos representa um momento crucial na política recifense, refletindo tensões entre a administração municipal e a sociedade civil. As alegações de irregularidades na nomeação de um procurador, especialmente em um contexto familiar delicado, contribuem para um cenário de incertezas e exigem uma resposta clara do Legislativo.
Fonte: https://istoe.com.br