O ministro Gilmar Mendes, atuando como substituto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentou nesta terça-feira (3) uma proposta inovadora para enfrentar o desafio das deep fakes durante o período eleitoral. A ideia é criar uma força-tarefa composta por peritos técnicos e instituições acadêmicas, com o objetivo de identificar de maneira rápida e eficaz conteúdos manipulados por inteligência artificial (IA), especialmente aqueles que podem impactar o processo eleitoral.
A Necessidade de Ação Proativa
Gilmar Mendes enfatizou que a Justiça Eleitoral deve adotar uma postura proativa e não apenas reativa em relação às ameaças que a tecnologia representa. O foco principal da força-tarefa seria no fortalecimento da capacidade técnica do TSE, permitindo que o tribunal não apenas respondesse a problemas, mas também prevenisse a disseminação de informações falsas geradas por IA.
Definição e Impacto das Deep Fakes
Deep fakes referem-se a conteúdos digitais, como vídeos e áudios, que foram manipulados de modo a criar, alterar ou substituir a imagem ou voz de uma pessoa, seja ela real ou fictícia. Essa prática é considerada ilegal nas campanhas eleitorais, conforme as normas atuais da Justiça Eleitoral, que proíbem a utilização de tais conteúdos para enganar o eleitorado.
Abertura para Audiências Públicas
A proposta de Mendes foi apresentada durante a abertura de audiências públicas do TSE, que está discutindo novas resoluções eleitorais. Essas audiências se baseiam em minutas de resolução publicadas anteriormente, permitindo que cidadãos e instituições contribuam com sugestões para aprimorar as regras eleitorais antes das eleições municipais de 2024.
Cooperação com Empresas de IA
Além da criação da força-tarefa, o ministro sugeriu que a Justiça Eleitoral busque parcerias com empresas que desenvolvem ferramentas de IA. A colaboração com esses provedores é vista como crucial para implementar medidas de prevenção, como a rotulagem de conteúdos gerados artificialmente e mecanismos de rastreabilidade, que podem ajudar a impedir o uso indevido dessas tecnologias.
Participação da Sociedade Civil
O TSE lançou um processo de consulta à sociedade civil para receber sugestões sobre as normas eleitorais. Essa prática é uma exigência da legislação vigente, e o prazo para envio de contribuições se encerrou em 30 de janeiro. As propostas selecionadas serão discutidas nas audiências públicas, que podem ser acompanhadas ao vivo pelo canal do TSE no YouTube, reforçando a transparência e a participação popular na elaboração das diretrizes eleitorais.
Conclusão
A iniciativa de Gilmar Mendes para criar uma força-tarefa contra deep fakes representa um passo significativo no fortalecimento da integridade das eleições. Ao unir esforços de especialistas e instituições acadêmicas, o TSE busca não apenas reagir a desafios, mas também estabelecer um ambiente eleitoral mais seguro e transparente, essencial para a democracia brasileira.
Fonte: https://jovempan.com.br