Na última quinta-feira, 29 de setembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo dos depoimentos de figuras centrais do Caso Master. Entre os depoentes estão Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. As revelações dessas audiências iluminam aspectos cruciais das operações financeiras e das relações políticas envolvidas.
Daniel Vorcaro e as Acusações de Irregularidade
Durante seu depoimento, Daniel Vorcaro refutou as alegações de que os créditos emitidos pela empresa Tirreno fossem fraudulentos. Ele afirmou não ter conhecimento das operações específicas e enfatizou que a transação que envolvia R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito não foi efetivamente realizada. “A transação não existiu, nem em pagamento para a Tirreno, nem na venda para o BRB”, garantiu.
Auditoria do Banco Central
Questionado sobre a atuação do Banco Central na identificação de irregularidades, Vorcaro defendeu que a fiscalização era realizada de forma quase diária. Segundo ele, tanto a instituição quanto o Banco Master agiram com rapidez diante da falta de documentação, desmentindo assim a ideia de que houve negligência.
Interações com Políticos
Vorcaro também comentou sobre suas interações com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele destacou que as conversas entre ambos foram limitadas e se restringiram a “conversas institucionais” relacionadas à proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB. O governador, por sua vez, confirmou que as discussões sobre a compra nunca ocorreram diretamente com Vorcaro.
Amizades no Cenário Político
Embora tenha afirmado conhecer muitos políticos, Vorcaro optou por não citar nomes específicos, alegando que suas relações eram meramente sociais. O governador Ibaneis, ao reafirmar a falta de discussões sobre o banco, reforçou que as tratativas foram conduzidas exclusivamente com Paulo Henrique Costa.
Crise de Liquidez e Regulamentação
Em relação à situação financeira do Banco Master, Vorcaro admitiu que a instituição enfrentava uma crise de liquidez, mas destacou que sempre honrou seus compromissos até novembro. Ele atribuiu a crise a mudanças nas regulamentações, que, segundo ele, foram influenciadas por pressões de grandes bancos. O banqueiro detalhou que o modelo de negócios do Banco Master estava intimamente ligado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que complicou a situação.
Desfazimento de Créditos
Ao ser questionado sobre a falta de ressarcimento ao BRB, Vorcaro expressou surpresa com a eliminação em grande escala dos créditos originados pela Tirreno, indicando que essa situação contribuiu para a crise que o banco enfrentava.
Relações Políticas e Consequências
Sobre a suposta influência política que teria para facilitar os negócios do Banco Master, Vorcaro negou veementemente. Ele argumentou que, se realmente tivesse tal influência, não estaria usando tornozeleira eletrônica, um símbolo de sua detenção e das complicações legais que enfrenta. Essa declaração revela a tensão entre suas alegações de integridade e as acusações que pesam sobre ele.
Implicações Futuras
O desenrolar desse caso complexo continua a ser acompanhado de perto, uma vez que as declarações e contradições podem ter repercussões significativas tanto para os envolvidos quanto para a regulamentação do setor financeiro. A investigação em curso e os desdobramentos legais prometem trazer à tona novos detalhes sobre a gestão e as operações do Banco Master.
Com a liberação dos depoimentos, a expectativa é que mais informações sejam reveladas, proporcionando uma visão mais clara sobre as práticas do setor bancário e suas interações com a política no Brasil.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br