Recentemente, os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) trouxeram à luz a discussão sobre a qualidade do ensino médico no Brasil. Com apenas 49 faculdades alcançando a nota máxima, enquanto 99 obtiveram conceitos 1 e 2, as disparidades na formação médica se tornaram evidentes. Essa situação levanta questões cruciais sobre como os pacientes podem tomar decisões informadas na hora de escolher um profissional de saúde.
Resultados do Enamed e seus Impactos
O Enamed avaliou 89.024 participantes, incluindo estudantes que estão se formando e médicos já formados. Somente 67% dos alunos concluintes obtiveram um desempenho considerado proficiente, enquanto 75% dos médicos formados alcançaram o mínimo necessário segundo o Ministério da Educação. Essa discrepância indica a necessidade de uma revisão significativa na formação médica, especialmente em faculdades que não apresentam resultados satisfatórios.
Critérios para Escolher um Médico
Diante da desigualdade na formação médica, é essencial que os pacientes adotem critérios objetivos ao selecionar um médico. O primeiro passo consiste em verificar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e se conta com título de especialista, que pode ser checado através do Registro de Qualificação de Especialista (RQE) disponível no site do Conselho Federal de Medicina.
Importância da Relação com Instituições de Saúde
Outro aspecto relevante é a vinculação do médico a instituições de saúde reconhecidas, como hospitais e clínicas que seguem critérios rigorosos de credenciamento. A experiência em residência médica e a participação em equipes multiprofissionais são indicativos de um profissional bem preparado e comprometido com a continuidade do cuidado ao paciente.
Avaliação da Qualidade da Consulta
Além das credenciais, a qualidade da consulta é um elemento fundamental. Um médico eficaz é aquele que demonstra interesse genuíno, explica diagnósticos e opções de tratamento de forma clara, e leva em consideração o histórico clínico do paciente. Manter uma relação com clínicos ou médicos de família ao longo do tempo pode facilitar a coordenação do cuidado e minimizar riscos de tratamentos fragmentados.
Desmistificando a Influência das Redes Sociais
A escolha de um médico não deve ser influenciada apenas pela presença digital, como número de seguidores ou curtidas nas redes sociais. A médica Elda Pires ressalta que, embora as redes sociais tenham transformado a forma como buscamos atendimento, é vital estabelecer relações baseadas em informações precisas e profissionais qualificados. O RQE serve como um registro confiável para a verificação da competência profissional.
Construindo uma Relação de Confiança
A confiança entre médico e paciente é um aspecto crucial para um cuidado eficaz. Estabelecer um vínculo de longo prazo com um profissional que compreenda as necessidades individuais do paciente é fundamental. Uma relação sólida facilita a orientação para especialistas quando necessário, assegurando que o cuidado seja contínuo e devidamente direcionado.
Portanto, ao escolher um médico, os pacientes devem considerar não apenas as credenciais e a formação do profissional, mas também a qualidade da interação e o histórico de confiança que podem ser estabelecidos ao longo do tempo.