A prática de ler livros está se tornando cada vez mais rara em diversas partes do mundo, incluindo Brasil, Europa e Estados Unidos. Esse fenômeno levanta preocupações sobre as implicações para a saúde mental e social das populações. Um estudo realizado pela Universidade da Flórida, em parceria com o University College London, revela uma diminuição alarmante de mais de 40% no número de leitores que leem por prazer nos EUA ao longo das últimas duas décadas.
A Desigualdade no Acesso à Leitura nos EUA
Os dados destacam que a queda no hábito de leitura é especialmente acentuada entre afro-americanos, pessoas de baixa renda e moradores de áreas rurais. Jill Sonke, diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida, considera essa diminuição "significativa e muito preocupante". Além disso, mesmo entre os grupos que tradicionalmente leem mais, como mulheres e indivíduos com maior nível de escolaridade, há indícios de uma mudança negativa nas práticas de leitura.
O Cenário da Leitura no Brasil
No Brasil, a situação é igualmente alarmante. De acordo com a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro, pela primeira vez, a quantidade de não-leitores ultrapassa a dos leitores. Em 2024, 53% dos entrevistados se identificaram como não-leitores, em contraste com 47% que disseram ler livros. Essa mudança significativa é um reflexo da evolução das práticas de leitura no país, que em 2019 apresentava 52% de leitores.
Diferenças de Gênero na Leitura
A pesquisa também revela diferenças de gênero no Brasil, mostrando que as mulheres continuam a ler mais do que os homens, com cerca de 50 milhões de leitoras em comparação a 43 milhões de leitores. No entanto, o único grupo etário que não apresentou queda no hábito de leitura foram os indivíduos de 11 a 13 anos e os maiores de 70 anos.
Leitura na Europa: Um Panorama
Na Europa, a situação não é muito diferente. Um estudo do Eurostat de 2024 indica que quase a metade dos cidadãos europeus não leu um único livro no último ano. A taxa de leitura é desigual entre os países, com nações como Irlanda e Suécia liderando, enquanto Itália e Romênia apresentam os índices mais baixos. Assim como nos Estados Unidos e Brasil, a idade e o gênero influenciam os hábitos de leitura, com os jovens de 16 a 29 anos lendo com mais frequência que os idosos.
Preferência por Livros Físicos vs. Ebooks
Embora os livros digitais ofereçam conveniência, a preferência por edições impressas ainda é predominante. No continente europeu, o número de pessoas que compram livros físicos é mais do que o dobro em comparação com aquelas que optam por ebooks ou audiolivros. Pesquisas apontam que a leitura em papel pode proporcionar uma compreensão mais aprofundada do conteúdo, especialmente em crianças em idade escolar, devido à estimulação sensorial que o formato físico oferece.
Os Benefícios da Leitura para a Saúde
Além de ser uma atividade cultural, a leitura regular traz benefícios significativos para a saúde. Estudos indicam que ler pode reduzir o estresse, melhorar a memória e oferecer proteção contra o declínio cognitivo. Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública de Yale revelou que aqueles que mantêm o hábito de leitura podem viver, em média, 23 meses a mais do que não leitores, independentemente de variáveis como educação e renda.
A Importância da Conexão Social
Essa longevidade associada à leitura pode ser atribuída à conexão social que se estabelece ao ler histórias, que oferecem uma forma de interação emocional e empatia. Especialistas sugerem que a leitura de ficção atua como um treinamento para relacionamentos, permitindo que indivíduos pratiquem interações sociais, o que é especialmente crucial em tempos de solidão, fator que tem efeitos negativos na saúde, comparáveis a riscos como tabagismo e obesidade.
Conclusão: Um Chamado à Ação
Diante do cenário alarmante da queda na leitura, é imperativo que medidas sejam tomadas para revitalizar o interesse por livros e a importância da leitura em nossas vidas. Promover iniciativas que incentivem a leitura, especialmente entre grupos em situação de vulnerabilidade, pode ser um caminho para reverter essa tendência e fomentar uma sociedade mais informada e saudável.